
O jornalismo sempre foi minha segunda opção. O que eu queria mesmo era ser atriz. Era um fascínio pra mim assistir as novelas e me imaginar ali, interpretando papéis diferentes, me permitindo realizar pelo menos no pensamento. A vontade só ficou no sonho mesmo e vai continuar assim. Não tenho mais chances nenhuma de me satisfazer como atriz. Quando era pequena me apresentava na igreja, participava de peças teatrais na escola, dançava e cantava com tanta prioridade... Às vezes acho que eu confiava mais em mim naquela época do que nos dias atuais.
Quando terminei o 3º ano prestei vestibular para Artes Cênicas. Não passei na prova de aptidão e já estava quase me matriculando em um cursinho quando surgiu a oportunidade de me inscrever no vestibular, de última hora, para jornalismo na minha cidade. Passei. Em meio a tantas dúvidas comecei o curso. Primeiro, segundo, terceiro período. Parada para a crise existencial. Não sabia se deveria continuar, já que ser jornalista era meu segundo plano. Mesmo diante das incertezas, continuei. Quarto, quinto período. Consegui um emprego no jornal impresso "Diário de Caratinga" onde fiquei por dois meses cobrindo as férias de uma outra repórter que cobria a editoria de Polícia. Sessenta dias fazendo matérias policiais. Uma experiência breve, porém importante. Um aprendizado que carrego em minha vida.
Sexto, sétimo período. No último ano de faculdade comecei um estágio na "Rádio Cidade". Por lá fiquei cinco meses. Fazendo boletins ao vivo de hora em hora, aprendi que entrar no ar, sem o direito de errar e voltar para corrigir o deslize, era um desafio estressante. Não me adaptei ao rádio.
Ainda no sétimo período entrei para a equipe do Super Canal. Minha primeira oportunidade na televisão. Ao me identificar com o veículo, passei a experimentar um gostinho diferente da profissão, acreditava que minha vontade de ser atriz havia sido substituída pela vontade de me dedicar cada dia mais à vida de repórter. Me formei com emprego fixo em uma emissora de TV.
Os meses foram se passando e algumas mudanças no setor de jornalismo foram feitas. Não agradei e decepcionada, pedi demissão. O prazer que eu tinha se transformou em algo insuportável. Alívio por quase dois meses até que recebi um telefonema da minha atual chefe pedindo que eu voltasse. Com ela a frente do Jornalismo da emissora eu voltaria de olhos fechados e foi o que fiz.
Voltei. Aos poucos fui me acostumando novamente com o ritmo da profissão. Devagar fui recuperando o prazer de trabalhar nessa área. Até hoje tento resgatar aquela sensação e autoconfiança que tinha quando criança.
Não quero que me elogiem, não quero que insistam em dizer que estou na profissão certa, não quero nada além do que eu mereço. E por mais que eu ainda não saiba até onde posso chegar, conheço bem o caminho que percorri. Desculpe pela frustração, mas eu precisava desabafar.